Todo o desenvolvimento cognitivo das crianças depende
do estímulo de familiares, da escola, dos professores e colegas.
Isso não é diferente com aquelas que têm síndrome de Down. A
diferença é que, nesse caso, são necessário maiores estímulos
para o bom o desempenho das funções neurológicas.
Estima-se que
300 mil brasileiros tenham síndrome de Down, de acordo com os dados
do Censo 2010 coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Ela se dá a partir da presença de um
cromossomo extra ao par do cromossomo 21 — por isso, também pode
ser chamada de trissomia 21. Essa alteração genética acarreta em
um atraso, de diferentes níveis de intensidades, no desenvolvimento
mental. As crianças com síndrome de Down possuem algumas alterações
físicas, como o formato mais arredondado da cabeça, pálpebras
estreitas e boca pequena, o que muitas vezes pode levar a criança a
projetar a língua pra fora.
Mais do que os
desafios em assimilar os conteúdos na escola, as crianças com
síndrome de Down enfrentam dificuldades na linguagem, motricidade,
socialização e até na realização de tarefas básicas diárias.
Além disso, a diminuição do tônus muscular e da força,
característica da síndrome, acaba dificultando ainda mais a
aprendizagem. Para minimizar essa flacidez, exercícios
fonoaudiólogos e fisioterapêuticos auxiliam no amadurecimento do
sistema nervoso central e contribuem para o desenvolvimento da
criança.
Além dos
exercícios, é importante o planejamento diário de atividades
dentro e fora da sala de aula, para que se pratique a cooperação,
organização, compreensão e as atividades motoras, como correr e
pular. Quanto mais estimulada, maior será o desenvolvimento físico
e social da criança com a síndrome de Down. Para efetivar esse
estímulo constante, principalmente o social, a escola deve oferecer
um acompanhamento multidisciplinar, baseado na educação especial.
Isso não significa, contudo, que o aluno seja matriculado em uma
escola especial.
Entretanto, não
existe um padrão de desenvolvimento entre todos que têm a síndrome.
É necessário acompanhar e olhar para cada criança como indivíduo,
que possui suas dificuldades, seus gostos e suas particularidades.
Qual a melhor opção: escola regular ou especial?
A legislação
brasileira que rege o sistema de educação busca a inclusão de
todos os estudantes, independentemente de síndromes e deficiências.
Mas ainda existem escolas que atendem exclusivamente alunos com
limitações físicas/cognitivas. Entenda uma pouco de cada uma
delas:
Escolas
regulares: A
socialização, fundamental para quem tem a síndrome de Down, pode
ser muito trabalhada nas escolas regulares. Conviver com a
diversidade é bom não apenas para essas crianças, que acabam mais
estimuladas pelo ambiente escolar, quanto para aquelas que não
possuem a síndrome. Porém, o acompanhamento especializado mais
próximo desses estudantes precisa ser feito diariamente, já que as
crianças com síndrome de Down têm um desenvolvimento mais lento
que às demais. Mesmo assim, tem capacidades e potencialidades,
podendo, inclusive, serem inseridas no mercado de trabalho.
Escolas
especiais: As
escolas especiais repassam o conteúdo, por meio de um currículo
adaptado, em um ritmo pensado exclusivamente para quem tem a
síndrome. Faz também um trabalho nos campos cultural, esportivo e
social, auxiliando e conscientizando toda a família. Mas o contato
com o ambiente externo e a socialização com outras crianças fica
restrito.
Unir a
socialização com atendimento especializado é o ideal e está
garantido por lei. Se a escola não oferecer esse acompanhamento, a
família deve exigir seus direitos, já que o Estado, considerando
suas diferentes esferas (federal, estadual e municipal), tem a
responsabilidade de garantir a todas as pessoas com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou
superdotação. Os direitos são:
- Matrícula em classes comuns do ensino regular com todos os apoios necessários para que participem de todo e qualquer processo de aprendizagem oferecido pela escola;
- Escolas com espaços, mobiliários e materiais didáticos e paradidáticos acessíveis;
- Transporte escolar acessível;
- Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno, de forma complementar ao ensino regular com objetivos específicos conforme a deficiência de cada criança;
- Formação inicial e continuada para os professores das salas comuns e para quem realiza o AEE na escola: intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais); outros profissionais de apoio, que auxiliem na alimentação, higiene e locomoção dos alunos, sempre que necessário;
- Acesso ao mesmo currículo escolar oferecido aos demais estudantes;
- Diversidade nos instrumentos de avaliação, possibilitando o acompanhamento dos avanços de estudantes com deficiências e transtornos;
- Participação em todas as atividades educativas, esportivas, culturais e sociais, desenvolvidas no contexto escolar.
- Em nenhum dos casos, a instituição poderá cobrar a mais pela presença de um profissional especializado, sob o risco de ser punida pelo Ministério da Educação (MEC).
Os benefícios da educação inclusiva
- A educação inclusiva, desde que acompanhada, acaba beneficiando ainda mais o desenvolvimento físico e intelectual das crianças com síndrome de Down. A inclusão:
- Estimula a convivência com as diferenças;
- Aprimora a linguagem;
- Oportuniza a interação com todos os alunos, ou seja, a aprendizagem colaborativa;
- Prevê um trabalho voltado a valorização das potencialidades de cada um.
A escola
precisa sempre analisar sua proposta curricular de acordo com as
necessidades e as demandas do alunos. Tanto as públicas quanto as
particulares tem um papel social importante nos dias atuais. Pensar
as possibilidades de desenvolvimento de crianças com síndrome de
Down é também contribuir para uma sociedade mais justa, menos
preconceituosa e que ofereça mais oportunidades a todos os cidadãos.
Autor: Cristiano Sieves
Especialista em Ludopedagogia
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