Não há Educação sem boniteza.

Paulo Freire

terça-feira, 14 de março de 2017

Crianças com síndrome de Down: compreender para saber integrar




Todo o desenvolvimento cognitivo das crianças depende do estímulo de familiares, da escola, dos professores e colegas. Isso não é diferente com aquelas que têm síndrome de Down. A diferença é que, nesse caso, são necessário maiores estímulos para o bom o desempenho das funções neurológicas.
Estima-se que 300 mil brasileiros tenham síndrome de Down, de acordo com os dados do Censo 2010 coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela se dá a partir da presença de um cromossomo extra ao par do cromossomo 21 — por isso, também pode ser chamada de trissomia 21. Essa alteração genética acarreta em um atraso, de diferentes níveis de intensidades, no desenvolvimento mental. As crianças com síndrome de Down possuem algumas alterações físicas, como o formato mais arredondado da cabeça, pálpebras estreitas e boca pequena, o que muitas vezes pode levar a criança a projetar a língua pra fora.
Mais do que os desafios em assimilar os conteúdos na escola, as crianças com síndrome de Down enfrentam dificuldades na linguagem, motricidade, socialização e até na realização de tarefas básicas diárias. Além disso, a diminuição do tônus muscular e da força, característica da síndrome, acaba dificultando ainda mais a aprendizagem. Para minimizar essa flacidez, exercícios fonoaudiólogos e fisioterapêuticos auxiliam no amadurecimento do sistema nervoso central e contribuem para o desenvolvimento da criança.
Além dos exercícios, é importante o planejamento diário de atividades dentro e fora da sala de aula, para que se pratique a cooperação, organização, compreensão e as atividades motoras, como correr e pular. Quanto mais estimulada, maior será o desenvolvimento físico e social da criança com a síndrome de Down. Para efetivar esse estímulo constante, principalmente o social, a escola deve oferecer um acompanhamento multidisciplinar, baseado na educação especial. Isso não significa, contudo, que o aluno seja matriculado em uma escola especial.
Entretanto, não existe um padrão de desenvolvimento entre todos que têm a síndrome. É necessário acompanhar e olhar para cada criança como indivíduo, que possui suas dificuldades, seus gostos e suas particularidades.

Qual a melhor opção: escola regular ou especial?

A legislação brasileira que rege o sistema de educação busca a inclusão de todos os estudantes, independentemente de síndromes e deficiências. Mas ainda existem escolas que atendem exclusivamente alunos com limitações físicas/cognitivas. Entenda uma pouco de cada uma delas:


Escolas regulares: A socialização, fundamental para quem tem a síndrome de Down, pode ser muito trabalhada nas escolas regulares. Conviver com a diversidade é bom não apenas para essas crianças, que acabam mais estimuladas pelo ambiente escolar, quanto para aquelas que não possuem a síndrome. Porém, o acompanhamento especializado mais próximo desses estudantes precisa ser feito diariamente, já que as crianças com síndrome de Down têm um desenvolvimento mais lento que às demais. Mesmo assim, tem capacidades e potencialidades, podendo, inclusive, serem inseridas no mercado de trabalho.
Escolas especiais: As escolas especiais repassam o conteúdo, por meio de um currículo adaptado, em um ritmo pensado exclusivamente para quem tem a síndrome. Faz também um trabalho nos campos cultural, esportivo e social, auxiliando e conscientizando toda a família. Mas o contato com o ambiente externo e a socialização com outras crianças fica restrito.
Unir a socialização com atendimento especializado é o ideal e está garantido por lei. Se a escola não oferecer esse acompanhamento, a família deve exigir seus direitos, já que o Estado, considerando suas diferentes esferas (federal, estadual e municipal), tem a responsabilidade de garantir a todas as pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Os direitos são:
  • Matrícula em classes comuns do ensino regular com todos os apoios necessários para que participem de todo e qualquer processo de aprendizagem oferecido pela escola;
  • Escolas com espaços, mobiliários e materiais didáticos e paradidáticos acessíveis;
  • Transporte escolar acessível;
  • Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno, de forma complementar ao ensino regular com objetivos específicos conforme a deficiência de cada criança;
  • Formação inicial e continuada para os professores das salas comuns e para quem realiza o AEE na escola: intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais); outros profissionais de apoio, que auxiliem na alimentação, higiene e locomoção dos alunos, sempre que necessário;
  • Acesso ao mesmo currículo escolar oferecido aos demais estudantes;
  • Diversidade nos instrumentos de avaliação, possibilitando o acompanhamento dos avanços de estudantes com deficiências e transtornos;
  • Participação em todas as atividades educativas, esportivas, culturais e sociais, desenvolvidas no contexto escolar.
  • Em nenhum dos casos, a instituição poderá cobrar a mais pela presença de um profissional especializado, sob o risco de ser punida pelo Ministério da Educação (MEC).

Os benefícios da educação inclusiva

  • A educação inclusiva, desde que acompanhada, acaba beneficiando ainda mais o desenvolvimento físico e intelectual das crianças com síndrome de Down. A inclusão:
  • Estimula a convivência com as diferenças;
  • Aprimora a linguagem;
  • Oportuniza a interação com todos os alunos, ou seja, a aprendizagem colaborativa;
  • Prevê um trabalho voltado a valorização das potencialidades de cada um.


A escola precisa sempre analisar sua proposta curricular de acordo com as necessidades e as demandas do alunos. Tanto as públicas quanto as particulares tem um papel social importante nos dias atuais. Pensar as possibilidades de desenvolvimento de crianças com síndrome de Down é também contribuir para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa e que ofereça mais oportunidades a todos os cidadãos.


Autor: Cristiano Sieves
Especialista em Ludopedagogia



Cria

21 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA SINDROME DE DOWN


SÍNDROME DE DOWN e as práticas pedagógicas


SINDROME DE DOWN - SAIBA O QUE DIZER:


10 Coisas que todo mundo precisa saber sobre Sindrome de Down


O que mais induz o preconceito a uma pessoa com Down é o desconhecimento, nem todos sabem o que é a Síndrome e suas implicações na vida destes indivíduos. O texto a seguir consegue de forma simples mostrar 10 coisas que todo mundo precisa saber sobre Síndrome de Down. Nos ensina a ter respeito às pessoas com deficiência, mais que um linguajar politicamente correto, trata-se de Respeito as singularidades do Sujeito.

1 - SÍNDROME DE DOWN NÃO É DOENÇA.

A síndrome de Down ocorre quando, ao invés da pessoa nascer com duas cópias do cromossomo 21, ela nasce com 3 cópias, ou seja, um cromossomo número 21 a mais em todas as células. Isso é uma ocorrência genética e não uma doença. Por isso, não é correto dizer que a síndrome de Down é uma doença ou que uma pessoa que tem síndrome de Down é doente.

2 - AS PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN NÃO SÃO TODAS IGUAIS.

Apesar de indivíduos com síndrome de Down terem algumas semelhanças entre si, como olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual, não são todos iguais.
Por isso, devemos evitar mencioná-los como um grupo único e uniforme. Todas as pessoas, inclusive as pessoas com síndrome de Down, têm características únicas, tanto genéticas, herdadas de seus familiares, quanto culturais, sociais e educacionais.

3 - PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN TÊM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL.

Deficiência intelectual não é o mesmo que deficiência mental.
Por isso, não é apropriado usar o termo “deficiência mental” para se referir às pessoas com síndrome de Down. Deficiência mental é um comprometimento de ordem psicológica.

4 - AS PESSOAS TÊM SÍNDROME DE DOWN, NÃO SÃO PORTADORES DE SÍNDROME DE DOWN.

Uma pessoa pode portar (carregar ou trazer) uma carteira, um guarda-chuva ou até um vírus, mas não pode portar uma deficiência.
A deficiência é uma característica inerente a pessoa, não é algo que se pode deixar em casa.
Diante disso o termo “portador” tanto para síndrome de Down quanto para outras deficiências caiu em desuso. O mais adequado é dizer que a pessoa tem deficiência.

5 - A PESSOA É UM INDIVÍDUO. ELA NÃO É A DEFICIÊNCIA.

A pessoa vem sempre em primeiro lugar. Ter uma deficiência não é o que caracteriza o indivíduo.
Por isso, é importante dizer quem é a pessoa para depois citar a deficiência. Por exemplo: o funcionário com síndrome de Down, o aluno com autismo, a professora cega, e assim por diante.

6 - PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN TÊM OPINIÃO.

As pessoas com síndrome de Down estudam, trabalham e convivem com todos. Esses indivíduos têm opinião e podem se expressar sobre assuntos que lhes dizem respeito.
Em caso de entrevistas, procure falar com as próprias pessoas com deficiência, não apenas com familiares, acompanhantes ou especialistas.

7 - PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN NÃO DEVEM SER TRATADAS COMO COITADINHAS.

Ter uma deficiência é viver com algumas limitações. Isso não significa que pessoas com deficiência são “coitadinhas”.
Pessoas com síndrome de Down se divertem, estudam, passeiam, trabalham, namoram e se tornam adultos como todo mundo. Nascer com uma deficiência não é uma tragédia, nem uma desgraça, é apenas uma das características da pessoa.

8 - DE PERTO, NINGUÉM É NORMAL.

No mundo não existem “os normais” e “os anormais”. Todos são seres humanos de igual valor, com características diversas.
Se precisar, use os termos pessoa sem deficiência e pessoa com deficiência.

9 - DIREITO CONSTITUCIONAL À INCLUSÃO E CIDADANIA.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi aprovada no Brasil em 2008 como norma constitucional. Ela diz que cabe ao Estado e a sociedade buscar formas de garantir os direitos de todas as pessoas com deficiência em igualdade de condições com os demais.
A Convenção é uma importante ferramenta de acesso à cidadania e precisa ser mais difundida entre as próprias pessoas com deficiência, juristas e a população em geral.

10 - POR QUE A TERMINOLOGIA É IMPORTANTE.

Referir-se de forma adequada a pessoas ou grupo de pessoas é importante para enfrentar preconceitos, estereótipos e promover igualdade

fonte:http://www.meufilhotemdown.com/2014/07/10-coisas-que-todo-mundo-precisa-saber.html

City Down - A História de Um Diferente

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