Não há Educação sem boniteza.

Paulo Freire

sábado, 6 de maio de 2017

Autismo e superdotação: a criança duas vezes excepcional

Autismo e superdotação: a criança duas vezes excepcional

Eu sempre soube que meu filho era inteligente. Muito inteligente, mais do que as crianças da sua idade. Mesmo antes do diagnóstico Asperger (agora classificado como autismo leve). Ele aprendeu a ler e escrever sozinho aos dois anos de idade, conhece frações, raiz quadrada, operações matemáticas, números romanos, alfabetos em muitas línguas (russo, polonês, grego…) e conversa como se fosse um adulto. Confesso que isso tudo já me confundiu. Como pode uma criança tão inteligente ter demorado tanto para sair da fralda?
Os interesses restritos de uma criança com autismo podem ser confundidos com genialidade. Sabe aquela obsessão por trens, aviões ou dinossauros? Ela pode ser confundida com a superdotação, já que a criança desenvolve um conhecimento muito grande sobre determinado assunto e fala sobre ele com propriedade. Mas é preciso aprender a diferenciar, avaliar a criança ao longo de seu desenvolvimento. Embora incomum, existem crianças que são duas vezes abençoadas, ou seja, são duplamente excepcionais.
O diagnóstico é difícil. Aproximadamente 70% dos casos de autismo possuem algum grau de deficiência intelectual, 20% estão avaliados na média e apenas 10% possui algum tipo de habilidade intelectual (Brentani, et al. 2013). Mas a avaliação precisa é muito importante para fornecer o apoio correto a essa criança.
Aqui vão algumas dicas de como ajudar uma criança com estas condições:
  • Ensine habilidades sociais. A criança com essas características é muito vulnerável ao bullying. Além de ser ingênua, seus interesses e comportamentos são muito diferentes dos demais da sua idade. Ensine-a a ouvir mais do que falar, conviver com outras crianças da sua faixa etária mesmo que prefira ficar com os adultos, brincar de forma variada, entender as “pistas” sociais (se estiver fazendo uma pergunta invasiva ou estiver sendo inconveniente, por exemplo). Além disso, procure crianças que tenham interesses semelhantes, pois pode ser um alívio para ela. (leia mais sobre como estimular as habilidades sociais aqui)
  • Ajude-o a expandir seus interesses. Caso ela possua interesse restrito, não o alimente! Incentive-a a buscar ramificar o conhecimento sobre as coisas que lhe interessam. (leia mais sobre o autismo e as fixações aqui)
  • Incentive a prática de algum esporte. Eu sei que eles não costumam ser muito habilidosos para os esportes e, na maioria das vezes, não têm o menor interesse em explorar essa área. Mas procure alguma atividade física que possa lhe proporcionar prazer e, de quebra, contribuir para seu desenvolvimento social. Se esportes coletivos (como futebol ou artes marciais) definitivamente não o agradam, busque alternativas individuais, como a natação.
  • Estimule a imaginação. Jogos de faz de conta ou ficção não são os preferidos das crianças com autismo. As brincadeiras concretas, de lógica ou causa e efeito costumam fazer muito mais sucesso. Mesmo assim, sem forçar, você pode ajudar seu filho a desenvolver esse lado imaginário e criativo, através de historinhas, brincadeiras de faz de conta e da convivência com outras crianças. Sempre, é claro, respeitando a individualidade de seus interesses.
Sem a nossa ajuda, a criança com essa dupla excepcionalidade tende a se isolar. Além das dificuldades sociais comuns no autismo, há também a incompatibilidade de interesses com as outras crianças. Cabe a nós pais e aos outros adultos que convivem com ela a responsabilidade de integrá-la ao mundo e o mundo a ela. Junto ao dom especial está a necessidade especial. Tendo o apoio correto, a criança desenvolverá as habilidades necessárias para conviver com os demais e ser feliz aceitando-se como é!
Por Amanda Puly
fonte:http://clubematerno.net/2016/11/07/autismo-e-superdotacao-crianca-duas-vezes-excepcional/

Síndrome de Asperger e Superdotação


Síndrome de Asperger e Superdotação

Forma de autismo pode ser confundida com inteligência acima da média - O Globo Online: "RIO - O neuropediatra Milton Genes, do Centro de Avaliação de Desenvolvimento Infanto-juvenil, alerta que, em vez de começar a tratar o filho que começa a mostrar sinais de alta inteligência como superdotado, os pais devem levar a criança a um especialista, já que alguns sinais de autismo podem ser confundidos com os de uma superdotação.

- Existe um tipo de autismo, chamado de síndrome de Ásperger, que muitas vezes é confundido com a superdotação. Em muitos casos, esta criança tem uma grande habilidade específica, como decorar todas as bandeiras ou as capitais do mundo, e uma certa dificuldade de se relacionar com outras crianças e com os pais. Podem, por exemplo, não gostar de dar abraços. Mas, como isso tudo é muito específico, só quem pode fazer um diagnóstico correto é um profissional - explica Genes."

O importante é prestar atenção na criança e detectar o problema precocemente. Se ela está com um foco excessivo em uma coisa só, é sinal de que ela precisa passar por uma avaliação para ver se está tudo bem - avalia.
Atualmente, a síndrome de Ásperger é tratada com medicamentos, acompanhamento psicológico e pedagógico.

A chamada síndrome de Asperger, transtorno de Asperger ou desordem de Asperger, é uma síndrome do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. A validade do diagnóstico de SA como condição distinta do autismo é incerta, tendo sido proposta a sua eliminação do "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais" (DSM), sendo fundida com o autismo
A SA é mais comum no sexo masculino. Quando adultos, muitos podem viver de forma comum, como qualquer outra pessoa que não possui a síndrome. Há indivíduos com Asperger que se tornaram professores universitários (como Vernon Smith, "Prémio Nobel" de Economia de 2002).
O termo "síndrome de Asperger" foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma homenagear Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990. A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no DSM, na sua quarta edição, em 1994 (DSM-IV).
Alguns sintomas desta síndrome são: dificuldade de interação social, falta de empatia, interpretação muito literal da linguagem, dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados. No entanto, isso pode ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto.
Alguns estudiosos afirmam que grandes personalidades da História possuíam fortes traços da síndrome de Asperger,[4][5][6] como os físicos Isaac Newton e Albert Einstein[7], o compositor Mozart, os filósofos Sócrates e Wittgenstein, o naturalista Charles Darwin, o pintor renascentista Michelangelo, os cineastas Stanley Kubrick e Andy Warhol e o enxadrista/xadrezista Bobby Fischer.
Características
A SA é caracterizada por:
• Interesses específicos e restritos ou preocupações com um tema em detrimento de outras atividades;
• Rituais ou comportamentos repetitivos;
• Peculiaridades na fala e na linguagem;
• Padrões de pensamento lógico/técnico extensivo;
• Comportamento socialmente e emocionalmente impróprio e problemas de interação interpessoal;
• Problemas com comunicação;
• Habilidade de desenhar para compensar a dificuldade de se expressar verbalmente;
• Transtornos motores, movimentos desajeitados e descoordenados.
• Segundo alguns estudos,[18] apresentam imaginação e criatividade fantasiosa mais reduzida do que uma criatividade com bases em fatos reais
• Frequentemente, por um Q.I. verbal significativamente mais elevado que o não-verbal
As características mais comuns e importantes da SA podem ser divididas em várias categorias amplas: as dificuldades sociais, os interesses específicos e intensos, e peculiaridades na fala e na linguagem. Outras características são comumente associadas com essa síndrome, mas nem sempre tomadas como necessárias ao diagnóstico. Esta seção reflete principalmente as visões de Attwood, Gillberg e Wing sobre as características mais importantes da SA; os critérios DSM-IV representam uma visão ligeiramente distinta. Diferentemente da maioria dos tipos de TDI, a SA é geralmente camuflada, e muitas pessoas com o transtorno convivem perfeitamente com os que não têm. Os efeitos da SA dependem de como o indivíduo afetado responde à própria síndrome.]
Diferenças sociais
Apesar de não haver uma única distinção comum a todos os portadores de SA, as dificuldades com o convívio social são praticamente universais, e portanto também são um dos critérios definidores mais relevantes. As pessoas com SA não têm a habilidade natural de enxergar os subtextos da interação social, e podem não ter capacidade de expressar seu próprio estado emocional, resultando em observações e comentários que podem soar ofensivos apesar de bem-intencionados, ou na impossibilidade de identificar o que é socialmente "aceitável". As regras informais do convívio social que angustiam os portadores de SA são descritas como "o currículo oculto".[20] Os Aspergers precisam aprender estas aptidões sociais intelectualmente de maneira clara, seca, lógica como matemática, em vez de intuitivamente por meio da interação emocional normal.

Os não-autistas são capazes de captar informação sobre os estados cognitivos e emocionais de outras pessoas baseadas em "pistas" deixadas no ambiente social e em traços como a expressão facial, linguagem corporal, humor e ironia. Já os portadores de SA não têm essa capacidade, o que é às vezes chamado de "cegueira emocional". Este fenômeno também é considerado uma carência de teoria da mente. Sem isso, os indivíduos com SA não conseguem reconhecer nem entender os pensamentos e sentimentos dos demais. Desprovidos dessa informação intuitiva, não podem interpretar nem compreender os desejos ou intenções dos outros e, portanto, são incapazes de prever o que se pode esperar dos demais ou o que estes podem esperar deles. Isso geralmente leva a comportamentos impróprios e anti-sociais. No texto Asperger's Syndrome, Intervening in Schools, Clinics, and Communities, Tony Attwood categoriza as várias maneiras que a carência de "teoria mental" ou abstração podem afetar negativamente as interações sociais de portadores de Asperger:
Dificuldade em compreender as mensagens transmitidas por meio da linguagem corporal - pessoas com SA geralmente não olham nos olhos, e quando olham, não conseguem "ler".
1. Interpretar as palavras sempre em sentido denotativo - indivíduos com SA têm dificuldade em identificar o uso de coloquialismos, ironia, gírias, sarcasmo e metáforas.
2. Ser considerado grosso, rude e ofensivo - propensos a comportamento egocêntrico, Aspergers não captam indiretas e sinais de alertas de que seu comportamento é inadequado à situação social.
3. Aperceber-se de erros sociais - à medida que os Aspergers amadurecem e se tornam cientes de sua "cegueira emocional", começam a temer cometer novos erros no comportamento social, e a autocrítica em relação a isso pode crescer a ponto de se tornar fobia.
4. Paranóia - por causa da "cegueira emocional", pessoas com SA têm problemas para distinguir a diferença entre atitudes deliberadas ou casuais dos outros, o que por sua vez pode gerar uma paranóia.
5. Lidar com conflitos - ser incapaz de entender outros pontos de vista pode levar a inflexibilidade e a uma incapacidade de negociar soluções de conflitos. Uma vez que o conflito se resolva, o remorso pode não ser evidente.
6. Consciência de magoar os outros - uma falta de empatia em geral leva a comportamentos ofensivos ou insensíveis não-intencionais.
7. Consolar os outros - como carecem de intuição sobre os sentimentos alheios, pessoas com AS têm pouca compreensão sobre como consolar alguém ou fazê-los se sentirem melhor.
8. Reconhecer sinais de enfado - a incapacidade de entender os interesses alheios pode levar Aspergers a serem incompreensíveis ou desatentos. Na mão inversa, pessoas com SA geralmente não percebem quando o interlocutor está entediado ou desinteressado.
9. Introspecção e autoconsciência - indivíduos com SA têm dificuldade de entender seus próprios sentimentos ou o seu impacto nos sentimentos alheios.
10. Vestimenta e higiene pessoal - pessoas com SA tendem a ser menos afetadas pela pressão dos semelhantes do que outras. Como resultado, geralmente fazem tudo da maneira que acham mais confortável, sem se importar com a opinião alheia. Isto é válido principalmente em relação à forma de se vestir e aos cuidados com a própria aparência.
11. Amor e rancor recíproco - como Aspergers reagem mais pragmaticamente do que emocionalmente, suas expressões de afeto e rancor são em geral curtas e fracas.
12. Compreensão de embaraço e passo em falso - apesar do fato de pessoas com SA terem compreensão intelectual de constrangimento e gafes, são incapazes de aplicar estes conceitos no nível emocional.
13. Lidar com críticas - pessoas com SA sentem-se forçosamente compelidas a corrigir erros, mesmo quando são cometidos por pessoas em posição de autoridade, como um professor ou um chefe. Por isto, podem parecer imprudentemente ofensivos.
14. Velocidade e qualidade do processamento das relações sociais - como respondem às interações sociais com a razão e não intuição, portadores de SA tendem a processar informações de relacionamentos muito mais lentamente do que o normal, levando a pausas ou demoras desproporcionais e incômodas.
15. Exaustão - quando um indivíduo com SA começa a entender o processo de abstração, precisa treinar um esforço deliberado e repetitivo para processar informações de outra maneira. Isto muito freqüentemente leva a exaustão mental.
Uma pessoa com SA pode ter problemas em compreender as emoções alheias: as mensagens passadas pela expressão facial, olhares e gestual tem um impacto baixo, mas não nulo (como no caso dos psicopatas). Eles também podem ter dificuldades em demonstrar empatia. Assim, Aspergers podem parecer egoístas, egocêntricos ou insensíveis. Na maioria dos casos, estas percepções são injustas porque os portadores da Síndrome são neurologicamente incapazes de entender os estados emocionais das pessoas à sua volta. Eles geralmente ficam chocados, irritados e magoados quando lhes dizem que suas ações são ofensivas ou impróprias. É evidente que pessoas com SA têm emoções. Mas a natureza concreta dos laços emocionais que venham a ter (ou seja, com objetos em vez de pessoas) pode parecer curiosa ou até ser uma causa de preocupação para quem não compartilha da mesma perspectiva.
O problema pode ser exacerbado pelas respostas daqueles neurotípicos que interagem com portadores de SA. O aparente desapego emocional de um paciente Asperger pode confundir e aborrecer uma pessoa neurotípica, que por sua vez pode reagir ilógica e emocionalmente — reações que vários Aspergers especialmente não toleram. Isto pode gerar um círculo vicioso e às vezes desequilibram particularmente famílias de pessoas Aspergers.
O fato de não conseguir demonstrar afeto — pelo menos de modo convencional — não significa necessariamente que pessoas com SA não sintam afeto. A compreensão disto pode ajudar parceiros ou convíveres a se sentir menos rejeitados e mais compreensivos. O aumento da compreensão também pode resultar de leitura e pesquisa sobre a Síndrome e outros transtornos comórbidos. Às vezes, ocorre o problema oposto: a pessoa com SA é anormalmente afeiçoada a alguém e não consegue captar ou interpretar sinais daquela pessoa, causando aborrecimento.

Outro aspecto importante das diferenças sociais encontradas em aspergers é uma fraqueza na coerência central do indivíduo. Pessoas com esta deficiência podem ser tão focadas em detalhes que não conseguem compreender o conjunto. Uma pessoa com coerência central fraca pode lembrar de uma história minuciosamente mas ser incapaz de fazer um juízo de valor sobre a narrativa. Ou pode entender um conjunto de regras detalhadamente mas ter dúvidas de como aplicá-las. Frith e Happe exploram a possibilidade de que a atenção a detalhes seja uma abordagem em vez de deficiência. Certamente parece haver várias vantagens em orientar-se por detalhes, particularmente em atividades e profissões que requeiram alto nível de meticulosidade. Também pode-se entender que isto cause problemas se a maior parte dos não-autistas for capaz de transitar fluidamente entre a abordagem detalhista e a generalista.

Diferenças de fala e linguagem
Pessoas com SA tipicamente tem um modo de falar altamente "pedante", usando um registro formal muitas vezes impróprio para o contexto. Uma criança de cinco anos de idade com essa condição pode falar regularmente como se desse uma palestra universitária, especialmente quando discorrer sobre seu(s) assunto(s) de interesse.
A interpretação literal é outro traço comum, embora não universal, da Síndrome de Asperger. Attwood dá o exemplo de uma menina com SA que um dia atendeu ao telefone e perguntaram “O Paul está aí?”. Embora o Paul em questão estivesse em casa, não estava no mesmo cômodo que ela. Assim, após olhar em volta para se certificar disso, a menina simplesmente respondeu "Não" e desligou. A pessoa do outro lado da linha teve de ligar novamente e explicar a ela que queria que a menina encontrasse o Paul e passasse o telefone a ele.
Indivíduos com SA podem usar palavras idiossincráticas, incluindo neologismos e justaposições incomuns. Isto pode tornar-se um raro dom para humor (especialmente trocadilhos, jogos de palavras e sátiras). Uma fonte potencial de humor é a percepção eventual de que suas interpretações literais podem ser usadas para divertir os outros. Alguns são tão apurados no domínio da língua escrita que podem ser considerados hiperléxicos. Tony Attwood cita a habilidade de uma criança em particular de inventar expressões, por exemplo, “tirar o pingo dos is” (o oposto de botar o pingo nos is) ou dizer que seu irmão bebê está “escangalhado” por não poder andar nem falar.
Outros comportamentos típicos são ecolalia (repetição ou eco da fala do interlocutor) e palilalia (repetição de suas próprias palavras).
Um estudo de 2003 investigou a linguagem escrita de crianças e adolescentes com SA. As amostras foram comparadas aos seus pares neurotípicos num teste padronizado de escrita e legibilidade da caligrafia. Nas técnicas de escrita, não foram encontradas diferenças significativas entre os padrões de ambos os grupos; entretanto, na caligrafia, os participantes com SA produziram letras e palavras consideravelmente menos legíveis do que as do grupo neurotípico. Outra análise de exemplos de texto escrito constatou que pessoas com Asperger produzem quantidade de texto similar às dos neurotípicos, mas têm dificuldade em produzir escrita de qualidade.
Tony Attwood afirma que um professor pode gastar tempo considerável interpretando e corrigindo o garrancho indecifrável de uma criança com Asperger. A criança também é ciente da qualidade inferior de sua caligrafia e pode relutar em participar de atividades que envolvam trabalho manuscrito extensivo. Infelizmente para alguns adultos e crianças, os professores colegiais e os potenciais empregadores podem considerar a precisão da caligrafia como medida da inteligência e personalidade. A criança pode requerer assistência de terapia ocupacional e exercícios corretivos, mas a tecnologia moderna pode ajudar minimizar este problema. O pai ou monitor pode também atuar como redator ou revisor da criança para assegurar a legibilidade das respostas nos deveres de casa.
[editar] Interesses específicos e intensos
A Síndrome de Asperger na criança pode se desenvolver como um nível de foco intenso e obsessivo em assuntos de interesse, muitos dos quais são os mesmos de crianças normais. A diferença de crianças com SA é a intensidade incomum desse interesse. Alguns pesquisadores sugeriram que essas "obsessões" são essencialmente arbitrárias e carecem de qualquer significado ou contexto real. No entanto, pesquisa recente sugere que geralmente não é esse o caso.
Algumas vezes, os interesses são vitalícios; em outros casos, vão mudando a intervalos imprevisíveis. Em qualquer caso, são normalmente um ou dois interesses de cada vez. Ao perseguir estes interesses, portadores de SA freqüentemente manifestam argumentação extremamente sofisticada, um foco quase obsessivo e uma memória impressionantemente boa para dados factuais (ocasionalmente, até memória eidética). Hans Asperger chamava seus jovens pacientes de "pequenos professores" por que ele achava que seus pacientes tinham como compreensão um entendimento de seus campos de interesse assim como os professores universitários.
Pessoas com Síndrome de Asperger podem ter pouca paciência com coisas fora destes campos de interesse específico. Na escola, podem ser considerados inaptos ou superdotados altamente inteligentes, claramente capazes de superar seus colegas em seu campo do interesse, e ainda assim constantemente desmotivados para fazer deveres de casa comuns (às vezes até mesmo em suas próprias áreas de interesse). Outros podem ser hipermotivados para superar os colegas de escola. A combinação de problemas sociais e de interesses específicos intensos pode conduzir ao comportamento incomum, tal como abordar um desconhecido e iniciar um longo monológo sobre um assunto de interesse especial em vez de se apresentar antes da maneira socialmente aceita. Entretanto, em muitos casos os adultos podem superar estas impaciências e falta de motivação e desenvolver mais tolerância às novas atividades e a conhecer pessoas.

Para quem tiver mais interesse sobre o tema, leia a seguinte matéria : http://www.hoagiesgifted.org/eric/fact/asperger.pdf
fonte: http://maedecriancassuperdotadas.blogspot.com.br/2010/10/sindrome-de-asperger-e-superdotacao.html

Quando o Autismo encontra a Altas Habilidades


5 / 2013


O espectro autista frequentemente traz consigo as chamadas Ilhotas de Habilidades - a criança torna-se muito boa em alguma coisa, destacando-se com uma habilidade acima da média para um determinado assunto, como astrofísica, mecânica ou literatura. Hoje está em circulação uma reportagem sobre uma criança autista que, aos 9 anos, já destaca-se na astrofísica e foi indicado como um ganhador no Nobel em potencial. Conheça a história:
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Aos dois anos de idade, o jovem americano Jacob Barnett foi diagnosticado com autismo, e o prognóstico era ruim: especialistas diziam a sua mãe que ele provavelmente não conseguiria aprender a ler ou sequer a amarrar seus sapatos. 
Mas Jacob acabou indo muito além. Aos 14 anos, o adolescente estuda para obter seu mestrado em física quântica, e seus trabalhos em astrofísica foram vistos por um acadêmico da Universidade de Princeton como potenciais ganhadores de futuros prêmios Nobel.
O caminho trilhado, no entanto, nem sempre foi fácil. Kristine Barnett, mãe de Jacob, diz à BBC que, quando criança, ele quase não falava e ela tinha muitas dúvidas sobre a melhor forma de educá-lo.
“(Após ser diagnosticado), Jacob foi colocado em um programa especial (de aprendizagem). Com quase 4 anos de idade, ele fazia horas de terapia para tentar desenvolver suas habilidades e voltar a falar”, relembra.
“Mas percebi que, fora da terapia, ele fazia coisas extraordinárias. Criava mapas no chão da sala, com cotonetes, de lugares em que havíamos estado. Recitava o alfabeto de trás para frente e falava quatro línguas”.
Jacob diz ter poucas memórias dessa época, mas acha que o que estava representando com tudo isso eram padrões matemáticos. ‘Para mim, eram pequenos padrões interessantes.’
Certa vez, Kristine levou Jacob para um passeio no campo, e os dois deitaram no capô do carro para observar as estrelas. Foi um momento impactante para ele. 
Meses depois, em uma visita a um planetário local, um professor perguntou à plateia coisas relacionadas a tamanhos de planetas e às luas que gravitavam ao redor. Para a surpresa de Kristine, o pequeno Jacob, com 4 anos incompletos, levantou a mão para responder. Foi quando teve certeza de que seu filho tinha uma inteligência fora do comum.
Alguns especialistas dizem, hoje, que o QI do jovem é superior ao de Albert Einstein.
Jacob começou a desenvolver teorias sobre astrofísica aos 9 anos. No livro The Spark (A Faísca, em tradução livre), que narra a história de Jacob, ela conta que buscou aconselhamento de um famoso astrofísico do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que disse a ela que as teorias do filho eram não apenas originais como também poderiam colocá-lo na fila por um prêmio Nobel.
Dois anos depois, quando Jacob estava com 11 anos, ele entrou na universidade, onde faz pesquisas avançadas em física quântica.
Questionada pela BBC que conselhos daria a pais de crianças autistas - considerando que nem todas serão especialistas em física quântica -, Kristine diz acreditar que “toda criança tem algum dom especial, a despeito de suas diferenças”.
“No caso de Jacob, precisamos encontrar isso e nos sintonizar nisso. (O que sugiro) é cercar as crianças de coisas que elas gostem, seja isso artes ou música, por exemplo”.
FONTE:http://neuropsi.tumblr.com/post/50373121333/quando-o-autismo-encontra-a-altas-habilidades

Autismo Leve, Síndrome de Asperger ou Superdotação/Altas Habilidades?

Por Drª Maria Claudia Brito [Fonoaudióloga]. Habilidades surpreendentes de memorização, atenção prodigiosa a detalhes, vocabulário diferenciado, fala com plurais rigorosamente corretos aparentemente rebuscada para a idade e a escolaridade, habilidades precoces de leitura, sendo capaz de ler livros inteiros em pouco tempo, intenso interesse por números e assuntos não habituais para a idade.

Autismo Leve, Síndrome de Asperger ou 

Superdotação/Altas Habilidades?

Neste texto pretendo chamar atenção para o fato de algumas crianças com Autismo Leve/síndrome de Asperger demorarem para receber o atendimento adequado, pelo fato de apresentarem determinadas características, como habilidades precoces de leitura e incomum interesse por números e letras. Neste cenário algumas vezes suas dificuldades podem ficar minimizadas ou despercebidas por mais tempo.

Habilidades surpreendentes de memorização, atenção prodigiosa a detalhes, vocabulário diferenciado, fala com plurais rigorosamente corretos aparentemente rebuscada para a idade e a escolaridade, habilidades precoces de leitura, sendo capaz de ler livros inteiros em pouco tempo, intenso interesse por números e assuntos não habituais para a idade.

Você conhece alguma criança com menos de cinco que apresenta características parecidas?

Muitas vezes conversei com familiares e professores que ao ter diante de si uma criança com tais características, levantaram como primeira hipótese Altas Habilidades/ Superdotação (AH/SD).

Poderia ser o caso, mas na maioria das vezes o que observei em minha prática clínica foram outros aspectos importantes no desenvolvimento da criança, que caracterizavam um transtorno do espectro do autismo. 

Provavelmente, o fato de em minhas experiências o desenrolar dessas histórias culminar em espectro do autismo e não em AH/SD, está relacionado ao fato de estas crianças chegarem a mim em função de suas dificuldades em aspectos da linguagem oral e/ou escrita, paralelas à precocidade em algumas habilidades.

Comumente suas histórias trazem relatos como: “Ele lê muito bem, mas não consegue explicar o que leu”. “Ele tem um vocabulário muito avançado para a idade, mas não compreende algumas perguntas e solicitações simples que outras crianças da mesma idade costumam compreender”.

Atualmente o DSM V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 2013) descreve tais casos como transtorno do espectro do autismo, mais specificamente nesses casos, o Autismo Leve (Nível 1). Anteriormente à atualização do DMV 5 em 2013, estes casos eram conhecidos como síndrome de Asperger ou Transtorno de Asperger.

A confusão com a superdotação pode ocorrer porque, tanto as crianças com autismo/síndrome de Asperger, quanto as crianças superdotadas podem demonstrar interesse bem precoce por letras e números, sendo que as crianças com síndrome de Asperger podem muitas vezes apreder a ler sozinhas com 2 ou 3 anos sem instrução formal (hiperlexia). Contudo, além das altas habilidades demonstradas por algumas crianças que apresentam a Síndrome de Asperger, habitualmente são observadas determinadas dificuldades como: dificuldades motoras com a grafia (letra considerada bem feia) e ou interpretação de textos (Hakim), maiores dificuldades de mudança de rotina e de contato social, ausência de compreensão de abstrações, estereotipias (Neihart, 2000) e dificuldades com o uso funcional e social da linguagem (Brito, 2011).

Dificuldades no desenvolvimento da linguagem trazem algumas destas crianças ao consultório fonoaudiológico, mas algumas vezes, infelizmente isso não ocorre por ainda ser comum a ideia de que problemas de comunicação estão restritos ao “não falar” (ausência total de fala) ou ”ao falar errado” (trocas de sons nas palavras, por exemplo: “matato” ao invés de “macaco”). Este tipo de crença aliada ao fato de essas crianças apresentarem determinadas “ilhas de habilidades” ou “hiperfoco” estão muitas vezes associados à demora em buscar auxílio específico.

Deve-se estar atento quando uma criança fala aparentemente muito bem, com precisão fonético-fonológica, mas o conteúdo causa alguma estranheza aos pais, como por exemplo, ficar repetindo uma mesma frase em momentos em que não há relação desta com o contexto (ecolalias e falas descontextualizadas), dificuldades para contar fatos cotidianos ocorridos na escola ao passo que a mesma criança consegue reproduzir um longo texto lido em um livro com riqueza de detalhes. As dificuldades específicas na comunicação social são aspectos bastante relevantes nesta diferenciação, pois são indicativos do transtorno do espectro do autismo e não são comuns a crianças com superdotação. Crianças com síndrome de Asperger podem apresentar ainda dificuldades na compreensão de mensagens por meio do tom de voz, de gestos ou ironias, que tem implicações em suas habilidades sociais.

Segundo Hakim, as crianças superdotadas podem eventualmente sofrer de problemas no ajustamento socioemocional. Uma vez que o desenvolvimento das capacidades mentais e intelectuais encontra-se muito acentuado, e incompatível com os pares da mesma idade, é comum que o superdotado tenha prejuízos na interação social, devido à dificuldade em compartilhar os mesmos interesses, entre outros aspectos. Assim, crianças com AH/SD também necessitam ficar sozinhas, algumas vezes, para buscar seus interesses e desenvolver alguma atividade que requer afastamento, mas isto não significa um isolamento total ou déficit na cognição social.

Portanto quando crianças com altas habilidades/superdotação necessitam de apoio especial para garantir sua efetiva inclusão e oportunidades de desenvolver plenamente suas habilidades, este suporte é bastante distinto daquele que uma criança com síndrome de Asperger pode precisar.

Alguns autores descrevem o que é denominado de Dupla Excepcionalidade (Pfeiffer, 2013) em que a criança com síndrome de Asperger/Autismo Leve também apresenta altas habilidades/superdotação.

Nesse contexto temos outra dificuldade. Como aponta Neihart (2000) clinicamente são verificadas dificuldades na realização da identificação de AH/SD em crianças com Síndrome de Asperger, pela fato de muitas vezes esta síndrome estar relacionada à dificuldades pontuais de aprendizagem, ao contrário do que é frequentemente pensado em AH/SD. Assim as oportunidades para desenvolver as altas habilidades de uma criança com síndrome de Asperger também podem ser subaproveitadas.

Por fim, destaco que o espectro do autismo pode trazer uma ampla gama de características e particularidades que irão interferir diretamente no atendimento terapêutico e educacional que necessita ser oferecido. Este texto, tem como principal objetivo chamar atenção para este fato e para a necessidade de estarmos atentos às particularidades de cada criança para melhor avaliar e planejar práticas que permitam que ela desenvolva-se o mais plenamente possível.

SEJAM SEMPRE BEM VINDOS AQUI! OS SENHORES SÃO MEUS CONVIDADOS E FIQUEM À VONTADE PARA DEIXAR SEUS COMENTÁRIOS SE ASSIM DESEJAREM! ABRAÇOS! Drª MARIA CLAUDIA BRITO

Referências
Brito, Maria Claudia. Síndrome de Asperger e educação inclusiva : análise de atitudes sociais e interações sociais. 168 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual Paulista, UNESP/SP, Brasil. 2011.
Castles A, Crichton A, Prior M. Developmental dissociations between lexical reading and comprehension: evidence from two cases of hiperlexia. Cortex. 2010;46(10):1238-47.       
Fleith DS. Altas habilidades e desenvolvimento socioemocional. In: Fleith DS, Alencar EMLS, eds. Desenvolvimento de talentos e altas habilidades: orientação a pais e professores. Porto Alegre: Artmed; 2007. p.41-50.
Hakim, Claudia: maedecriançassuperdotadas.blogspot.com.br.
Hakim, Claudia. Superdotação e Dupla Excepcionalidade. Editora Jurua. 2016.
Neihart M. Gifted children with Asperger's syndrome. Gifted Child Quarterly. 2000;44(4): 222-30.
Pfeiffer SI. Serving the gifted: evidence-based clinical and psychoeducational practice. New York: Routledge; 2013.
fonte:http://www.saberautismo.com.br/portal/blog/autismo-leve-sindrome-de-asperger-ou-superdotacaoaltas-habilidadesij

Vídeo educativo - Autismo

O cérebro de Hugo -filme (autismo)